Novo Banco público de sangue de cordão umbilical
O Hospital Sírio-Libanês inaugurou no
início de março mais um banco público de sangue de cordão umbilical e
placentário. O projeto é filantrópico e foi desenvolvido em parceria com
o Ministério da Saúde e o Amparo Maternal. Terá capacidade para
armazenar aproximadamente 3.700 unidades de sangue de cordão e fará
parte da Brasilcord, juntamente com outras cinco unidades semelhantes no
país. A vantagem é que irá coletar uma população com grande diversidade
genética, pois o Amparo Maternal atende mulheres de diferentes etnias
de vários estados. Já escrevi mais de uma vez sobre bancos de sangue de cordão mas como continuo recebendo muitas mensagens vou retomar o assunto.
Já é um consenso que as células-tronco de sangue de cordão são uma
esperança de cura para várias doenças hematológicas, como leucemia,
linfomas, talassemia e anemias hereditárias, além de deficiências do
sistema imunológico. Aliás, é a única situação onde podemos falar em
tratamento com células-tronco. Por isso a importância de ter bancos
públicos de sangue de cordão umbilical, que na prática podem funcionar
do mesmo modo que os bancos de sangue. Tentativas terapêuticas para
tratar outras doenças com células-tronco, como diabetes, por exemplo,
ainda são consideradas experimentais.
Bancos públicos ou privados?
Já me manifestei várias vezes contra os bancos privados e a a favor dos bancos públicos de sangue de cordão. Entretanto casais “grávidos” continuam me perguntando se vale a pena coletar e armazenar o sangue do cordão umbilical do bebê prestes a nascer em bancos privados, para um eventual uso próprio, no futuro. E pagar caro por isso. A minha opinião vocês já sabem. Mas o que pensa a convidada de honra do simpósio preparado para celebrar a inauguração do banco, dra. Eliane Gluckman?
Ela é uma pesquisadora francesa mundialmente conhecida e respeitada,
que se notabilizou por ser a primeira pessoa a fazer transplante de
células-tronco de sangue de cordão umbilical, em 1988, para tratar a
anemia de Fanconi, doença hematológica hereditária. O que ela diz a
respeito:
“ Não há nenhuma prova que o sangue do cordão possa ser usado para terapia celular regenerativa
- A maioria das doenças degenerativas ocorre em uma idade mais
avançada: qual será a viabilidade e o potencial das células após um
armazenamento de 25 a 75 anos?
- Será que daqui 50 anos a metodologia será compatível com os métodos atuais de coleta e armazenamento?
- E se novos conhecimentos surgirem em 50 anos que tornem a terapia celular obsoleta?”
E o mais importante:
“Que tipo de propriedade as células-tronco do sangue de cordão
oferecem que não se encontram em células-tronco adultas de medula óssea
ou outros tecidos?”
Em resumo, a não ser em familias onde existem doenças hematológicas
tratáveis com CT de cordão umbilical, a descoberta e a melhoria nas
técnicas de obtenção e diferenciação das CT de diferentes tecidos
adultos tornarão cada vez mais desnecessário armazenar o sangue de
cordão para uso próprio.
Por Mayana Zatz - Geneticista

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